segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Veja esta canção (3)


Clip da cantora, compositora e instrumentista mexicana Julieta Venegas. Muito boa!


 

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Beijo de despedida


um corajoso jornalista iraquiano fez aquilo que todo cidadão do planeta gostaria de fazer. Bem, alguns, muitos, gostariam de mandar bala ao invés dos sapatos... Faltou um pouco mais de pontaria... mas valeu a intenção.  

sábado, 6 de dezembro de 2008

Let´s dance!


Eu danço mal e canto pior ainda. Mas estranha e patológicamente, insisto em dançar, e dependendo da quantidade de alcool em questão, sou capaz de dançar a noite inteira. Felizmente, para mim e para os ouvidos alheios, o alcool não "desperta" meu lado trovador. E se "no entanto é preciso cantar" me contento em no máximo participar e muito discretamente do coro. De qualquer forma, gosto muito de música - principalmente, gosto de "ver" música.
Não gosto muito de musicais, mas adoro cenas em que os personagens cantem ( de preferência, a capela e "mal", como nos documentários do Eduardo Coutinho ) e, principalmente, dancem. Em quase todos os meus filmes coloco uma cena em que os protagonistas dançam. 
Este trecho de "Band à part", de Jean-Luc Godard, é uma delícia, dá vontade de sair dançando também. A música e a dança são elementos frequentes nos filmes de Godard - ele inclusive filmou um "musical", ao seu jeito: "Uma mulher é uma mulher" é uma divertida paródia a "Guarda-chuvas do amor", de  Jacques Demy. Mas duvido que Godard seja um pé de valsa. Não tem cara. 
Hal Hartley citou ( eufemismo da minha parte, Hartley praticamente copia o enquadramento, a coreografia, repete inclusive a brincadeira do chapéu ) essa cena em Um Simples Desejo, que é um filme bacana  (lamentavelmente, nenhum dos dois filmes foi lançado em dvd por aqui... ). Citações unem obras e artistas como parceiros numa dança. Godard, sem dúvida, um dos cineastas mais citados e copiados de todos os tempos é talvez um dos que mais cita obras alheias ( não necessariamente apenas cinematográficas ) em seus filmes. Nessa cena mesmo, há uma rápida menção à Corrida do ouro, de Chaplin - mais especificamente, à dança dos pães . 
Hal Hartley é músico, tem uma banda, faz a trilha sonora dos seus filmes.
Meu amigo cineasta "candango" ZéEduardo Belmonte cita Hartley no seu divertido curta Cinco filmes estrangeiros, numa bem filmada e coreografada cena de dança ao som de I saw you saying (that you say that you saw ), dos Raimundos, que acaba se aproximando por tabela da cena original de Godard ( seu curta é em preto e branco, o que acentua ainda mais o parentesco visual e conceitual da citação). Assim como eu, Belmonte também adora cenas "musicais" em seus filmes. Mas excessivamente tímido, capaz de corar por qualquer coisa, Belmonte não leva o menor jeito pra dançar. Imagino que cante mal.   
E essa postagem acabou ficando como uma quadrilha: de marcha em contramarcha, de associação em associação, voltamos ao ponto de partida. 
Não gosto de musicais, mas esta cena de Band à part é espetacular.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Auxílio Luxuoso



Já tinha escrito aqui sobre a honra e o privilégio de ter trabalhado como roteirista do Carvana ( e logo no Casa da Mãe Joana, maior sucesso )... 

Agora a honra é em dobro: olha ele aí, fazendo uma participação como ator no meu filme...


terça-feira, 28 de outubro de 2008

Veja essa canção (2)

Video-clip de "When the deal goes down", de Bob Dylan ( do álbum Modern Times) ilustrado com belas imagens em S-8 de Scarlett Johansson.  Bem bacana, nostálgico.


segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Os três vértices de um triangulo

Caio Blat, Maria Ribeiro e Luz Cipriota - superelenco do meu filme.

domingo, 12 de outubro de 2008

Momento poético em tempos de dureza (7)






Habitada por gente simples e tão pobre
Que só tem o sol que a todos cobre
Como podes, mangueira, cantar?


Pois então saiba que não desejamos mais nada
A noite, a lua prateada
Silenciosa, ouve as nossas canções

Tem lá no alto um cruzeiro
Onde fazemos nossas orações
E temos orgulho de ser os primeiros campeões

Eu digo e afirmo que a felicidade aqui mora
E as outras escolas até choram
Invejando a tua posição

Minha mangueira essa sala de recepção
Aqui se abraça inimigo
Como se fosse irmão

(Cartola - Sala de recepção )

sábado, 11 de outubro de 2008

Parabéns!


Nascido em 1908, Cartola faria hoje cem anos... mas como é imortal, continua inteirão e cantando bem à beça...

Maternidade



Julie Gavras e sua genial atriz mirim Nina Kervel-Bey.

sábado, 27 de setembro de 2008

Ver e Ouvir (4)

Quase não há o que ouvir aqui, apenas deliciar-se com a beleza das imagens. Uma pintura "ao vivo". Trecho do belissimo filme iraniano O Silêncio, de Mohsen Makhmalbaf.

Quadros que queria ter na parede aqui de casa (14)




As três graças, de Rafael.

cíclope ou circe?




Lucrécia Martel

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

domingo, 21 de setembro de 2008

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Não fui eu quem disse, mas O Bonequinho de O Globo

‘A casa da mãe Joana’ fica em Bonsucesso. Tem uma em Ramos também. E outras três na Penha. Na Baixada, na Zona Sul e na Barra existem outras. No Rio todo, há casas-da-mãe-joana iguais àquela onde vivem Montanha (Antônio Pedro, no tom), PR (Pauto Betti, inspirado) e Juca (José Wilker, hilário), protagonistas do novo filme de Hugo Carvana. Basta haver amizade.

Amizade é a essência estética do cinema de Carvana. O entendimento do ônus afetivo que a palavra “amigo” carrega é o esqueleto de seus filmes, subestimados nestes tempos em que lealdade virou artigo escasso. “Bar Esperança” (1982), que entra fácil em qualquer lista de filmes nacionais antológicos, já deixava claro esse traço investigativo da obra que Carvana vem depurando no diálogo com subgêneros do humor. Se “Apolônio Brasil” (2003) flertava com a chanchada ingênua dos anos 1950, “A casa...” revisita a comédia erótica da década de 1970.

Num humor malcomportado, a saga de como Montanha, PR e Juca resistem ao golpe dado pelo “171” Vavá (o Buster Keaton chamado Pedro Cardoso) retoma um cinema sensualmente abusado, na linha de “Amici miei — Meus caros amigos”, de Mario Monicelli. É um riso cru, indigesto para estômagos talhados a caviar cinéfilo, mas apetitoso para quem não teme prazeres. E que prazer dão Juliana Paes e Fernanda de Freitas:

(Rodrigo Fonseca, Revista Rio Show, O Globo, 19/09/2008 )

programa


Casa da Mãe Joana, comédia de Hugo Carvana, num cinema perto de vc...

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Grandes personagens da (minha) história (3)

Hugo Carvana

Sempre fui fã do Carvana. Era moleque e admirava seus trabalhos, fosse em cinema ou na televisão. Durante minha adolescência acompanhava um seriado que ele fazia na TV Globo, Plantão de Polícia. Ele interpretava Valdomiro Pena, jornalista veterano, boêmio, cínico, debochado porém, íntegro e humanista. Esse seriado, escrito por gente como Leopoldo Serran, Aguinaldo Silva ( àquela época um bom roteirista, ainda não tinha virado o noveleiro de sucesso de hoje, menos deslumbrado consigo mesmo e mais atento à qualidade de suas histórias ) e Doc Comparato, é das boas coisas que vi na televisão brasileira, muito superior ao que é feito hoje. 

No cinema, Carvana encarnava o carioca típico, malandro, indolente, mulherengo, sacana. De certa forma era o arquétipo do brasileiro macunaímico, numa versão urbana, o que pode ser constatado no simpático filme de Cacá Diegues, Quando o carnaval chegar (1972), que aliás foi o primeiro filme que vi com Carvana, nos meus tempos de cineclubista, na década de 70 . 

Seu primeiro filme como diretor, "Vai trabalhar vagabundo" (1973) é uma pequena obra prima. Além das muitas qualidades cinematográficas, o filme poderia ser analisado como um tratado sociológico do caráter do povo brasileiro, ao lado do já citado Macunaíma, de Mário de Andrade, das Memórias de um sargento de milícias, de Manoel Antonio de Almeida, de Simão, o caolho, de Galeão Coutinho, no campo da ficção ou de Casa-Grande e Senzala, de Gilberto Freire, Raízes do Brasil, de Sergio Buarque de Hollanda, Carnavais, malandros e heróis, de Roberto da Matta e O Povo brasileiro, de Darcy Ribeiro, no campo teórico. A galeria de malandros, trambiqueiros, porra-loucas que desfila ao longo do filme, com um humor anárquico e uma insáciavel sede de alegria e liberdade, proporciona uma subversiva radiografia de nosso país - um Brasil torto, desengonçado, vagabundo e mestiço, em tudo oposto ao Brasil Grande propagandeado pelo governo militar. 

Já estudante de cinema, fui conhecer o Carvana ator de grandes filmes como Os Fuzis, de Ruy Guerra, Terra em Transe e Dragão da Maldade contra o santo guerreiro, do Glauber, de O Anjo Nasceu, do Julio Bressane,  entre outros. Nesses filmes, sua atuação revelava um outro Carvana, diametralmente oposto àquele malandro carioca arquetípico - um ator sério, politizado, completamente integrado à proposta estética e ideológica vanguardista do cinema novo ( ou do seu sucedâneo mais transgressor, o cinema marginal, "udigrudi", no caso de Bressane ). Carvana se revelava como um ator de recursos ilimitados, que transitava com maestria pela comédia e pelo drama,  e ao mesmo tempo, um artista comprometido e identificado com o ideário de sua geração, o que lhe valeu algumas prisões e um período no exílio ( sua esposa e companheira de todas as horas, Marta Alencar, foi inclusive guerrilheira ). 

De certa forma, Carvana encarnava essa "persona" formada pelos dois lados distintos de seus trabalhos: era ao mesmo tempo o malandro boa praça, trambiqueiro do "bem", sacana e camarada e o porta-voz de uma geração politizada, um homem de seu tempo, idealista e combativo. Era uma projeção do brasileiro que todos gostariam de ser: alegre e ao mesmo tempo consciente, bon-vivant e guerreiro. Seu único defeito para mim era ser torcedor do Fluminense ( assim como outro dos meus ídolos, Chico Buarque, aliás, seu primo e compadre ), mas ninguém é perfeito.

Como diretor, Carvana faria o filme ícone do processo de redemocratização brasileira, Bar Esperança, o último que fecha (1982) comédia dramática que é uma espécie de inventário de sonhos, frustrações, perdas e ganhos do Brasil pós golpe militar. Um dos melhores filmes brasileiros de todos os tempos.

Seja como ator, diretor, ou simplesmente, na arte de viver, Hugo Carvana é um mestre.

Bem, toda essa apresentação talvez desnecessária, uma vez que o Carvana é uma figura pública bastante conhecida, é para balizar minha emoção ao ser convidado pra trabalhar com o Carvana no roteiro de seu filme Casa da Mãe Joana. Emoção e cagaço, tenho que confessar ( senti algo parecido quando fui trabalhar com o Ruy Guerra, mas disso eu falarei depois). Se já é assustador trabalhar com um artista do tope do Carvana, meu medo ainda foi maior pelo fato de ser seu admirador confesso. Várias coisas me assustavam: o temor de me deixar seduzir pelo fascínio do ídolo, de perder a capacidade crítica diante da admiração, o medo mesmo de não conseguir produzir nada à altura de seu talento. Por outro lado, tinha de enfrentar um grande fantasma: "substituir" ( se isso é possível ) Armando Costa, o grande parceiro de Carvana em seus melhores filmes (além dos já citados, roteirista também de Se segura malandro ). 

Mas para minha sorte, a idolatria subserviente foi imediatamente desmontada por uma camaradagem regada a alguns copos de cachaça e defumada por muita fumaça de charuto. E por muita piada infame, histórias do arco da velha, confissões de uma mente sacana. 

Ao longo do trabalho, percebi que o único risco que corria era mesmo não conseguir produzir nada de concreto,  porque perdíamos (?) tanto tempo falando besteiras que quase não dava para escrever. Marta, esposa e produtora do Carvana, suspirava dizendo que o Carvana não tinha saído da "fase anal", pois 99% das suas piadas eram referentes ao bom e velho cú - e a verdade é que, metaforicamente falando, o big bang do universo cômico do Carvana parece se originar justamente desta parte da nossa anatomia, o equivalente escatológico do buraco negro cósmico. 

Um parentêsis: recentemente, quando estava trabalhando no seriado Dicas de um sedutor, "baixou" em mim um "encosto carvaniano", e para desespero da Rosane Svartman, e de outros colegas de equipe, passei a maior parte do tempo do trabalho contando piadas infames, quase todas referentes à fase anal e seus derivados eróto-escatológicos ( o que era agravado por ter entre parceiros do trabalho dois outros quarentões com mentalidade e humor adolescente, Gustavo Cascon e Chico Soares ). Do que posso deduzir que bobeira é extremamente contagiosa.

Contagiosa e causa sequelas. E sequências. Foi tão prazeroso trabalhar com o Carvana que nem tinhamos terminado o Casa da Mãe Joana, e ele me chamou pra escrever um novo roteiro, Não se preocupe, nada vai dar certo, que está começando a produzir. E outro dia ele me chamou pra conversar sobre um novo projeto... Carvana tem esse "defeito",  nem acabou um trabalho já está pensando no próximo filme. O "Mestre" tem pressa: aos 71 anos de uma vida marcada por farras, porres, noitadas, prisões, exílio, dureza, alcool, drogas, loucuras, fumando horrores, com apenas um pulmão, um câncer vencido, e agora diabético ( e proibido de beber seu whisky, muito menos sua "branquinha" ), Carvana tem muita histórias e piadas pra contar e sabe que o tempo urge, ainda mais no Brasil, onde fazer cinema é uma atividade de risco, marcada por contratempos e imprevistos... 

Carvana está lançando essa semana ( dia 19 de setembro, sexta agora ) o Casa da Mãe Joana. Não vou dizer que é altamente recomendável, porque seria cabotino. Mas vejam o filme, é muito divertido. Pra quem gosta de bobagem, é um prato cheio.  

domingo, 14 de setembro de 2008

Veja essa canção (1)


"Smells like teen spirit", por Tori Amos.

A versão do hit do Nirvana pela magnífica voz e pelo piano de Tori Amos, registrada num disquinho ( Crucify, cinco músicas apenas) que contém também uma bela versão de Angie, dos Stones.