
quinta-feira, 29 de novembro de 2007
sábado, 24 de novembro de 2007
sexta-feira, 23 de novembro de 2007
entranhas cinematográficas ( e ideológicas ) de Tropa de Elite (final)

Em tempo: ao final de Nascimento de uma nação, Stonema cai em si do perigo personificado pelos negros que até então defendia e se alia aos escravocratas, colocando-se sob a tutela dos paladinos encapuzados. Lynch é morto e os negros "petulantes" reconduzidos ( sob a mira das armas dos KKK ) no seu devido e submisso lugar. De certa forma, é essa a mensagem final que Tropa de Elite passa ao seu público: assim como Stoneman, cabe à parcela mais esclarecida da classe média renunciar ao seu liberalismo, parar de proteger os traficantes ( o que é a defesa dos direitos civis e humanos senão "fazer vista grossa" para a bandidagem? ), e deixar que os "caveiras" reestabeleçam a ordem.
quinta-feira, 22 de novembro de 2007
quinta-feira, 15 de novembro de 2007
a praga chamada "politicamente correto" (1)
Estranhamente, os defensores desse tipo de pensamento "polido" geralmente são os que mais protestam contra o sistema de cotas para a população negra ascender às universidades, aos empregos públicos, o que de fato criaria condições para uma equiparação econômica, cultural e social com a população branca. Para eles isso é populismo, da mesma forma que bolsa família e projetos sociais vizando reduzir a miséria ( isso então é chamado de esmola ou pior, compra de votos ). Os mais radicais chamam essa política afirmativa de verdadeiro racismo, porque essas medidas compensatórias no fundo seriam atitudes preconceituosas às avessas, descriminando a população branca.
Vejam só a que ponto chegamos: chamar um negro de crioulo é racismo, vetar-lhe o acesso às faculdades, garantir-lhe chances de ascensão profissional, ser contra a criação de cotas nos concursos públicos para uma população históricamente submetida à pobreza, isso não é racismo.
No tocante aos gays, é politicamente correto chamá-los de "homoadeptos", ou qualquer termo nesse gênero, semanticamente polido. Bem provavelmente os adeptos desta espécie de Socila (antiga escola de etiqueta, formadora de dondocas e misses ) vernáculo-liberal devem achar muito divertidas as passeatas gays, etc. Afinal de contas, os gays são tão alegres ( o trocadilho é intencional ). Agora a boa maioria dos adepto da correção política com certeza torce nariz para a extensão dos direitos dos casais heterosexuais aos casais gays ( planos de saúde, herança, adoção de filhos, etc ), pelo ingresso de gays nas forças militares, etc.
A postura "politicamente correta" acaba gerando monstruosidades, algumas tão ridículas que chegam a ser risíveis...
Olha a pérola que li na internet...

Risada de Papai Noel é proibida em Sydney
Os papais-noéis da maior cidade australiana foram orientados a não usar mais o tradicional "ho, ho, ho" devido a risada ser considerada ofensiva contra as mulheres. As autoridades instruíram os profissionais de Sydney a utilizar o "ha, ha, ha".
Um Papai Noel contou que foi aconselhado por uma empresa de recrutamentos a não usar a expressão porque poderia assustar as crianças e também por causa da gíria "ho", prostituta no inglês americano.
Julie Gale, que coordena uma campanha contra o contato precoce de menores com a sexualidade, chamada de Kids Free 2B Kids (crianças livres para serem crianças), é contra a orientação. "Estamos falando de quem ainda não entende 'ho, ho, ho' com outra conotação e nem precisariam", afirma ela. "Deixem Papai Noel em paz", pediu.
Um representante da empresa afirma que é um equívoco dizer que a companhia baniu a risada tradicional do personagem e que a decisão foi deixada a cargo de cada Papai Noel.
segunda-feira, 12 de novembro de 2007
entranhas cinematográficas ( e ideológicas ) de Tropa de Elite (4)

sábado, 10 de novembro de 2007
Adeus, Norman Mailer

terça-feira, 6 de novembro de 2007
Unidos venceremos
domingo, 4 de novembro de 2007
Caveiras de Cristo
domingo, 28 de outubro de 2007
entranhas cinematográficas ( e ideológicas ) de Tropa de Elite (3)

saudades do "bodódromo" (Petrolina, PE)

E mandou me soltar.
domingo, 21 de outubro de 2007
coisas que eu gosto (de ver) 4:

Grande filme português, de um diretor pouco conhecido aqui no Brasil ( apesar de já ter feito um filme, A Filha da mãe, estrelado pelo José Wilker ). Conheci o João Canijo no Festival de Cinema Latino de Chicago, em 2002. Éramos quase que dois peixes fora d´água. Eu porque estava representando como roteirista o filme da Sandra Werneck, Amores Possíveis ( e em festivais de cinema, se você não é o diretor ou produtor do filme, ou então o ator principal, você fica ali, meio perdido, ninguém te dá muita atenção, roteirista então...). E o João, por ser português. Se no meio daquela multidão de cineastas hispânicos, latino-americanos, ser brasileiro já era motivo de estranheza ( apesar de uma estranheza carinhosa, afinal, nossos hermanos latinos simpatizam gratuitamente conosco ), um cineasta luso, com um filme totalmente rodado em Paris, era realmente uma espécie de ET. O filme que ele tinha em concurso era o belo Ganhar a vida, que retrata a migração portuguesa contemporânea para os países mais desenvolvidos na Europa "sem fronteiras". Nos encontramos numa festa promovida pelo sempre simpático Pepe Vargas, diretor do festival, um convescoste bem familiar, nada a ver com as festas nababescas do cinema brasileiro, uma coisa bem íntima, um churrasco no quintal de sua casa, num simpático subúrbio de Chicago. De modo que o brasileiro e o português acabamos por juntarmos nosso deslocamento e ficamos papeando sobre os cinemas de nossos países.
Papeando é uma licença poética. Meu inglês é, como naquela comunidade do orkut, "too bad", meu espanhol só funciona depois de algumas doses de birita, mas o maior problema linguístico é entender o português falado pelos portugueses. Às vezes parece russo. Realmente, é uma coisa que dificulta em muito a circulação do cinema português no Brasil. "Aquela língua" só consegue ser compreendida com legendas. E pra complicar, o Canijo fala com aquele acento gutural típico dos moradores do Porto, mais fechado e hermético que o português cantadinho dos alfacinhas, os lisboetas. O irônico é que o nosso português é plenamente compreendido pelos lusos, por ação e graça das telenovelas globais, que inundam a programação televisão portuguesa há mais de 20 anos - há casos de emissoras que passam novelas das duas as dez...
Mas não é pra falar dessa conversa de meio-surdos em Chicago que estou escrevendo, e sim para comentar um filme do Canijo, que acabei assistindo em 2004, por ocasião do Festival de cinema Luso-brasileiro de Santa Maria da Feira, onde ambos fomos jurados. Noite escura passou, fora de competição. A despeito da dificuldade de compreensão idiomática, o filme me impressionou sobremaneira. É um filme muito forte, brutal, com uma mis-en-cene elaboradérrima, um ritmo tenso, sempre crescente, uma fotografia cheia de movimentos de câmera que às vezes lembram a movimentação da câmera de um Altman, passando de assuntos e ambientes, criando uma espécie de labirinto visual, onde os personagens parecem aprisionados e sem saída. Ao mesmo tempo, o uso de câmera na mão, sempre tensa e angustiante, encurralada nos limites de um amabiente quase sempre fechado, remete ao cinema de Cassavetes É um filme bastante tenso, sufocante. A trama é inspirada na tragédia de Eurípedes, Ifigênia em Aulis, transmutada para um Portugal moderno, repleto de contradições, dividido entre a fartura dos investimentos da comunidade européia e a agonia de suas tradições e a corrupção de seus valores.
A peça de Eurípedes fala do drama do rei de Micenas, Agamemnon, que é obrigado a sacrificar a filha mais jovem, Ifigênia, a fim de aplacar aos deuses, que vinham castigando seu reino com a seca e a devastação. Agamenon tem outra filha, Electra, que nutre pelo pai uma espécie de amor incondicional. Já a esposa de Agamenon, Clitemnestra, ao descobrir que o marido sacrificara a filha caçula, acaba matando-o.
Na adaptação de Canijo, a ação se passa numa boate de prostituição. Pressionado por mafiosos russos, Nelson, o dono do bordel aceita oferecer sua filha mais jovem como pagamento de suas dívidas. A decisão do pai é questionada pela filha mais velha, que tenta salvar a irmã do destino cruel: tornar-se prostituta. É um filme dominado pelas mulheres, determinadas, enérgicas, enquanto os homens parecem rastejar na sua impotência ou covardia. Nelson ( em ótima interpretação de Fernando Luis) , é tíbio, pusilânime em sua covardia em aceitar o destino cruel que se lhe apresentam. Apesar de amar a filha, tem mais amor ao próprio pescoço. Ele é pressionado por todos os lados: pelos russos, pela filha mais velha ( interpretada por Isabel Batarda, belíssima atriz, aqui enfeiada, masculinizada ), pela esposa Celeste, aparentemente cínica e alienada ( numa interpretação cheia de nuances de Rita Blanco, espécie de atriz-fetiche de Canijo ), pelos próprios remorsos - sabe que é um patife covarde, mas isso não o impede de sofrer.
A trama de Canijo é narrada pelo ponto de vista de Carla, a filha mais velha e mais feia. E é o seu desespero em ver a família ser destruída pela covardia do pai, que no entanto ama desesperadamente. Ela tenta dissuadir o pai, sem sucesso, tenta pedir auxílio à mãe, que ignora seu desespero, tenta ajudar Sônia, a irmã caçula, que entretanto rechaça seu socorro. A percepção de sua incapacidade de mudar o destino, traçado por mãos mais fortes que a sua, vai enlouquecendo progressivamente a personagem.
Num momento intenso do filme, ao propôr que o pai lhe entregue aos russos, no lugar da irmã caçula, ela procura mostrar que, apesar de feia, é muito mais experiente que a outra. Ela seduz o pai, numa cena cheia de sensualidade doentia, incestuosa, que culmina numa felação nervosa a qual o pai não consegue resistir. Essa cena é talvez a melhor representação do "complexo de electra" em cinema ( em detrimento às diversas representações do mito do amor edipiano, que gerou filmes tão dispares quanto O sopro no coração, de Louis Malle, La Luna, de Bertollucci, Os imorais, de Sthephan Frears e, mesmo, os incompreendidos, de Truffault). Mas nem pelo sexo ela consegue demover o pai tíbio e covarde.
O filme é impregnado de violência. A abertura do filme mostra Carla lavando o assoalho sujo de sangue de uma prostituta russa, que aparece com a garganta dilacerada. Mais adiante, um sócio de Nelson será esfaqueado na jugular, em meio a uma discussão com o chefe dos mafiosos russos. Uma outra prostituta é enforcada - seu corpo despenca do teto pesado e inerte. No final, há um tiroteio, muitas mortes - enquanto isso, mulheres em trajes sumários, seminuas exibem-se monotonamente no palco da boate, num contraponto que remete à disputa entre Eros e Thanatos, com a predominância deste.
Numa tentativa final de salvar a imã, Carla parte para o sacrifício, pistola na mão, enfrentando os russos. Mas mais uma vez, ela falha. E morre. Sua morte não impede que Sônia seja levada pelos mafiosos russos, tampouco salva o pai. Nelson, causador e vítima de sua própria desgraça, é morto por Celeste. Ao final do filme, enquanto os corpos de Carla e Nelson abraçados e unidos pelo mesmo sangue derramado jazem no estacionamento, a noite segue na boate, onde clientes e prostitutas seguem seu cotidiano aviltante, sem perspectivas, mais monótono do que trágico.
Aliás, dentro do conceito de tragédia grega, as prostitutas e clientes da boate de Nelson funcionam como uma espécie de côro, que de certa forma comenta, num segundo plano, aspectos da história e, principalmente, a questão da prostituição - que seria uma metáfora da situação de Portugal, corrompido pelos euros que mudaram radicalmente o país, sem no entanto resolver nenhum de seus problemas estruturais ( tanto que é um dos países mais pobres da comunidade européia ).
O filme é tenso, duro, nervoso, de um colorido neurótico - há uma preponderância das cores vermelhas e verdes, por sinal, cores da bandeira portuguesa. Num dado momento da trama, a personagem Sônia, a irmã caçula, canta uma triste canção, uma espécie de fado - e o que é o fado se não uma junção entre a premissa fatalista da tragédia grega e a melancolia incurável dos portugueses? A canção funciona como uma espécie de comentário melódico ao filme, mas também é um contraponto - é um raro momento de doçura ( ainda que uma doçura agônica, acridoce ) em meio à nervosa movimentação da câmera e a cada vez mais tensa atuação dos atores.
É uma pena que a sonoridade do português de Portugal difira tanto do nosso português. Isso impede que um filme impressionante como Noite Escura possa vir ser exibido no Brasil. Pelo menos, não sem legendas. Tenho uma cópia em dvd que só dá pra assistir com auxílio das legendas em inglês.
É lamentável porque, além de privar o público brasileiro do cinema de Canijo, sem dúvida um dos cineastas portugueses mais interessantes, figura constante em Cannes - Noite Escura concorreu à Palma de Ouro e também foi o filme português indicado ao Oscar de filme estrangeiro - , essa dificuldade idiomática entre Brasil e Portugal acaba criando o mito de que o único cineasta português é Manoel de Oliveira, cujos filmes acabam passando no Brasil com mais frequência mas pelos quais eu não tenho a menor paciência (apesar de achar simpático o velhinho continuar filmando a "bordo" dos seus noventa e tantos anos, mas daí gostar de seus filmes, há uma grande distância ).
João Canijo e Pedro Costa ( O quarto de Vanda, Juventude em marcha ) são os melhores realizadores portugueses da atualidade, sendo que o cinema de Canijo me agrada mais, pela sua elaborada dramaturgia. Pena que falemos a "mesma" língua. Fossem cineastas espanhóis ou franceses, ou mesmo romenos, seus filmes teriam melhor aceitação aqui, no Brasil.
sábado, 20 de outubro de 2007
coisas que eu gosto ( de ouvir) 5:

A bossa eterna de Elizeth e Ciro
terça-feira, 16 de outubro de 2007
Precisa dizer mais alguma coisa?

quinta-feira, 11 de outubro de 2007
momento gastronômico (1)

sal a gosto
segunda-feira, 8 de outubro de 2007
entranhas cinematográficas ( e ideológicas ) de Tropa de Elite (2)

quarta-feira, 3 de outubro de 2007
O retorno do Jedi ou a volta do boêmio - Eduardo Coutinho reencontra seu melhor cinema

Confesso que achava que o cineasta Eduardo Coutinho estava nos "devendo" um bom filme há tempos.
terça-feira, 2 de outubro de 2007
entranhas cinematográficas ( e ideológicas ) de Tropa de Elite (1)

domingo, 30 de setembro de 2007
sexta-feira, 28 de setembro de 2007
Pegadinha

Responda rápido, sem pensar: quem é esse belo tipo faceiro da foto ao lado:
(a) Cate Blanchet?
(b) Jude Quinn?
(c) Bob Dylan?
(d) Todas as opções acima?
quarta-feira, 26 de setembro de 2007
O ovo da serpente

Portanto, há uma nítida orientação para humanizar os soldados do Bope, dando-lhes caractertísticas positivas, contrabalançando o lado negativo: se Nascimento é brutal, às vezes, ao mesmo tempo ele chora, tem remorsos, está estressado, quer sair daquele trabalho por desumano, tem sua vida pessoal destrúida; Matias, o seu sucessor, além de ser refinado, inteligente, tem a cor do "inimigo", é um homem do povo, veio de baixo, e Neto, ainda que sobre ele pese uma adesão ao Bope que beira quase ao fanatismo, é perdoado pela sua juventude, pela sua honestidade quase pura e, finalmente, é redimido pelo assassinato covarde - é morto pelas costas.
Não ver nisso a mão e o cérebro do diretor é fazer pouco da sua inteligência e da sua autoralidade. Não ver que ele constrói o seu filme com um discurso inteligente ainda que didático, eficiente justamente por didático, que demonstra, meticulosamente, o "sistema" corrupto e corruptor que domina a polícia convencional, que constrói de forma empática seus personagens, que justifica a necessidade de uma força "acima do bem e do mal", a única força capaz de vencer a guerra, uma elite incorruptível, heróis de uniforme negro que sacrificam a vida pessoal ( Nascimento ), uma carreira bem sucedida como advogado ( Matias ), a própria vida ( Neto) para defender a civilização da barbárie.
Citando Brecht, "infeliz uma terra que precisa de heróis". Mas, se precisamos de heróis, é preciso que definamos quem são os vilões.
Numa primeira instância, parece que os vilões do filme são, óbvio, os traficantes. Depois,de forma didática, quase doutrinária, é mostrado que os vilões são a polícia militar e civil, corruptas e coniventes com o crime organizado. Porém, não são esses os verdadeiros inimigos. Tanto os traficantes quanto os policiais corruptos são apenas a ponta do iceberg, a parte visível do problema. É então que o filme aponta finalmente quem são os verdadeiros "vilões": a classe média alta, branca, universitária, com "consciência social". Os filhinhos de papai que fumam maconha, os branquinhos riquinhos bem intencionados que sobem os morros para cuidar dos pobres, as ONGs que atuam nas favelas e que acabam se tornando uma espécie de embaixada para o tráfico ( da mesma forma que as embaixadas eram refúgio para os esquerdistas, na época da ditadura militar ). Nascimento diz, num dado momento: "que um pobre fudido sem nada, sem escola, sem trabalho, entre no tráfico, eu até aceito, mas um filhinho de papai que teve todas as oportunidades, ah..." Vemos o pessoal da ONG confraternizando com o traficante, cheirando pó. Um dos colegas de sala de Matias, membro da ONG faz tráfico na faculdade. Aliás, os personagens da ONG são o que de mais grotesco e pusilânime é apresentado no filme. São piores até do que os PMs corruptos. Além de fazerem um péssimo trabalho didático ( ao ponto de não perceberem que um de seus alunos é ruim nas aulas porque tem problemas de visão ), quando não estão confraternizando com os traficantes, cheirando pó com eles, estão sempre fornicando. Nesse sentido, a cena em que eles são brutalizados, a moça morta e o diretor da ONG fritado no "microondas", perde muito da eficácia, porque os personagens são tão desprezíveis que, ainda que as imagens sejam brutais, não despertam no expectador nenhuma solidariedade ou empatia, sequer pena. No fundo, é bem feito para eles, "quem dorme com cães amanhece com pulgas"- imagino que o expectador mediano deva pensar, no escurinho do cinema.
Mas ao determinar que é a classe média a verdadeira vilã do filme, por consumir drogas, por "passar a mão na cabeça da bandidagem" com seus projetos sociais, por torcer o nariz para as cenas de violência e tortura, Padilha na verdade está apontando seu fuzil com mira laser para um alvo mais específico: não é a classe média em si, mas uma parte dela. Aquela parcela da classe média chamada liberal, aquela que partilha pontos de vista progressistas, mas que no filme são apresentados da forma mais abjeta possível, quase caricaturas: os que defendem a discriminilização ou mesmo a liberação das drogas, no fundo são viciados ou mesmo traficantes. Os que tem consciência social são proxenetas de pobres, promíscuos e acumpliciados com o crime organizado. Os que defendem os direitos humanos, e torcem nariz para a tortura, são os primeiros a pedir penico para a polícia, quando se sentem ameaçados.
E é nesse sentido que o discurso fascistizante do filme se completa. O problema a ser resolvido não são os traficantes. Desses, as cenas que mostram a eficácia dos soldados de preto em matarem os traficantes demonstram que o Bope dá conta. Tampouco é a corrupção policial, a própria criação de uma polícia de elite, incorruptível e sem lugar para a "escória" também demonstra que, em pouco tempo, isso pode ser contornado. Resta o problema maior. Livrar da classe média a sua parcela liberal, no filme definida como promíscua, permissiva, pusilânime.







